O argumento dos maus papas contra o catolicismo romano
- Filosofia Cristi
- 13 de abr.
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Pode parecer chocante para alguns, mas, para quem estudou um pouco da história da Igreja, é de conhecimento comum que houve papas notavelmente ruins. Quando digo “ruins”, não me refiro a meramente incompetentes no exercício do papado, mas a homens moralmente maus. Podemos citar alguns exemplos, como o papa Alexandre VI, entre outros.
É claro que também houve bons papas. Gregório Magno não recebeu esse título por acaso; João Paulo II, por sua vez, foi amplamente admirado por cristãos de diferentes tradições, incluindo protestantes. No entanto, dado o papel fundamental do papa para a Igreja Católica Romana, seria de se esperar que ele fosse alguém de caráter e reputação cristã, dotado de sólido entendimento teológico, maturidade espiritual e habilidade prática de liderança. Essas são, afinal, as qualificações exigidas de qualquer bispo ou presbítero no Novo Testamento (1 Timóteo 3:1–7; Tito 1:5–9).
Ora, se isso é requerido de qualquer líder eclesiástico, então, com maior razão, aquele que é considerado o “bispo dos bispos” e “vigário de Cristo” deveria corresponder a esse perfil. É justamente a partir dessas expectativas que se formula a objeção: a existência de papas moralmente maus seria um problema para o catolicismo.
Para tornar o ponto mais claro, considere um argumento em sentido oposto. Pensemos nas pessoas notavelmente santas produzidas pelo cristianismo. Se o cristianismo é verdadeiro, é razoável esperar que tal santidade se manifeste, servindo como um indício de sua veracidade. De modo semelhante, o chamado argumento da “corrupção flagrante” procura operar contra o catolicismo romano.
Em suma, como explicar a história do papado e seus episódios de ambição, escândalos e corrupção? Esses homens foram todos escolhidos por Deus para ocupar o cargo de papa? Pode-se pensar que sim, em virtude da importância singular do papado para os católicos romanos. Além disso, como afirmam os católicos, “quem sucede na cátedra de Pedro obtém, pela instituição do próprio Cristo, a primazia de Pedro sobre toda a Igreja” (cf. Concílio Vaticano I, Pastor Aeternus, cap. IV).
Ou seja, a força inabalável de Pedro residiria em seus sucessores, capacitando os papas a guiar a Igreja. É precisamente por isso que, segundo essa perspectiva, os cristãos deveriam estar em acordo com Roma, em virtude de sua “liderança mais eficaz”.
Dito isso, considere agora a seguinte afirmação condicional. Em virtude das fortes alegações do catolicismo acerca do papa, parece-me plausível formulá-la nos seguintes termos:
(p): Se (a) Pedro recebeu de fato autoridade sobre toda a Igreja; se seus sucessores, os bispos de Roma, possuem essa mesma autoridade; se Deus, providencialmente, preservou uma sucessão ininterrupta desde Pedro até o presente; e se o papa é o pastor supremo da Igreja, o vigário de Cristo, incumbido de preservar a Igreja do erro e de manter sua unidade; então (b) é razoável esperar que todos os papas atendam ao padrão básico do Novo Testamento para bispos, ou, ao menos, que sejam pessoas de fé sincera em Cristo e de integridade moral básica.
Convém ressaltar que esse é um padrão bastante mínimo. É importante notar que o padrão descrito em 1 Timóteo 3 não é a perfeição. Esses homens podem apresentar falhas, pontos cegos e fraquezas, e podem até ter cometido pecados graves no passado. Ainda assim, espera-se deles uma fé sincera em Cristo e no Evangelho, bem como alguma evidência discernível de santificação.
A dificuldade, contudo, é que diversos papas não corresponderam sequer a essas expectativas modestas. Isso constitui um problema para qualquer um inclinado a considerar verdadeira a afirmação condicional acima. Pois, se alguém julga que (b) é de se esperar dado (a), então o fato de (b) não se verificar torna (a) menos provável. Os católicos romanos, portanto, parecem ter pouca alternativa senão rejeitar (p). Isto é, como (a) é essencial à sua fé, tenderão a negar que (b) seja uma expectativa razoável dado (a).
Disso, segue-se que o catolicismo está errado.
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